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domingo, 25 de junho de 2023

Consumo de ovos



Um dos primeiro posts que escrevi, há mais de 5 anos, se chamava "Mas você vai obrigar seu filho a ser vegano?" e o post era justamente explicando que, sim, eu iria obrigar meu filho que ainda não tinha nascido (o Nícolas) e todos os possíveis futuros filhos que viesse a ter, a serem veganos sim. E assim foi, até umas três semana atrás...

Como expliquei há 5 anos, minha principal justificativa para ensinar meus filhos a serem veganos, era porque não faria sentido eu ensiná-los a fazer algo que eu não considero certo, que é explorar animais para qualquer fim. Apesar disso, eu sei que eles são pessoas diferentes de mim, e como tal, podem ter ideias diferentes das minhas e fazer escolhas diferentes das minhas, e cabe a mim aceitar e respeitar isso. Com isso em mente, meu objetivo sempre foi mantê-los com uma alimentação vegana até que eles tivessem total entendimento de tudo o que existe por trás da indústria de "alimentos" de origem animal, e aí pudessem tomar uma decisão consciente. 
Mas como nem tudo na maternidade acontece de acordo com o que planejamos, Nícolas agora, aos 4 anos e 9 meses, decidiu que não quer mais ser vegano. Não acredito que ele tenha conhecimento suficiente para tomar essa decisão, e não queria que ele tivesse tomado agora, mas diante de todo cenário, foi o que considerei mais apropriado. 

Na realidade, há alguns meses, quando começamos a frequentar mais festinhas de aniversário, eu já estava deixando ele comer 1 doce da mesa (não vegano) depois do "parabéns". Isso depois de ele ter chorado em algumas festinhas quando todas as crianças iam para a mesa comer os doces, menos ele. Percebi que aquilo não estava sendo legal e por isso cedi. 
Mas há algumas semanas ele já vinha me dizendo que queria comer ovo, já que via os amigos da escola comendo. Isso foi aumentando mais e mais, até que ele começou a pedir pras professoras também. E aí quando eu soube disso, achei que continuar proibindo não iria trazer um desfecho bom... Primeiro, que minha intenção nunca foi que o veganismo fosse um peso ou sofrimento para ele. E segundo, que acredito que se eu continuasse proibindo o consumo de ovos, mesmo ele mostrando claramente que ele queria comer, isso poderia trazer duas consequências nada boas: ele poderia começar a consumir escondido de mim (o que é problemático demais, já que considero essencial que exista uma relação de confiança entre nós) ou, ainda que não comesse escondido, ele poderia acabar criando uma "raiva" do veganismo, e quando finalmente tivesse idade pra decidir, a chance de optar por continuar sendo vegano seria bem menor...

Então conversamos e eu falei que ele poderia deixar de ser vegano se quisesse. Combinamos que ele iria consumir ovos apenas na escola, pois em casa seria problemático ele consumir e o irmão não. Inicialmente ele estava comendo apenas nos dias que a escola servia ovos a todos (1 ou 2 vezes na semana), mas como ele ficava frustrado nos dias que não tinha ovo no cardápio, solicitei que fizessem ovo para ele todos os dias, sempre que as outras crianças fossem comer carnes. Ele ficou bastante contente, e ter o ovo sempre até diminuiu o interesse dele pela carne no prato das outras crianças...

Ainda acredito que existe uma grande chance de ele decidir voltar a ser vegano, quando finalmente entender toda a exploração e maus tratos que a indústria pratica para "produzir" ovos. Infelizmente quando (se) isso acontecer, ele sempre vai guardar o sabor do ovo da memória, e provavelmente vai sentir falta, assim como eu sinto. Além do todos os outros, um dos grandes motivos de eu fazer tanta questão de manter uma alimentação vegana para os meninos também é não acostumar o paladar deles para depois de grandes eles sentirem falta do sabor dos alimentos de origem animal, como eu mesma sinto...
Mas faz parte da vida, fiz o que achei correto, antes e agora, e torço para que essa tenha sido realmente a melhor decisão. E por ter sido tomada pensando no bem-estar e respeito a ele, acredito que tenha ido sim.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Rotina final de cuidados das fraldas do Nícolas

Antes do Nícolas nascer, falei sobre minha decisão de usar fraldas de pano com ele. Quando ele estava com 1 ano de idade, fiz uma série de 4 posts contando sobre a experiência com as fraldas de pano modernas, aqui: Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4.
Depois, ainda falei um pouco sobre os contornos, que começamos a usar para as noites após eu ter escrito a parte 4. 

De lá pra cá, muita coisa mudou na nossa rotina com as fraldas. Vou falar sobre os pontos que achei mais positivos da minha experiência, que é o que eu sugeriria alguém fazer, se fosse começar a usar as fraldas de pano do zero. Vou focar mais na rotina das fraldas do Nícolas, pois nem sempre a rotina de manutenção das fraldas foi igual para ambos os meninos. Algumas vezes eu acabava passando algumas coisas que não estavam funcionando muito bem com o Nícolas pro Vinícius, para aproveitar o que já tínhamos adquirido - foi o caso quando decidi não usar mais as fraldas AIO no Nícolas, e em vez de descartá-las, deixei para uso do Vinícius, mas que se não as tivéssemos, não iríamos comprar para usar com ele.

Resumidamente, depois de experimentar algumas soluções diferentes, escolhi as duas que funcionavam melhor pra nossa rotina, e adotei com o Nícolas:
De dia, ele usava fralda de bolso (a grande maioria da marca Nós e o Davi, mas tínhamos algumas outras de outras marcas também) com dois absorventes, um de moletom 6 camadas e outro de meltom 4 camadas. Aboli as AIO de seu enxoval. Como comentei, passei a usar as AIO que já tínhamos com o Vinícius, e depois de um tempo doei para uma pessoa que estava precisando de fraldas.
De noite, ele usava (e ainda usa, pois o desfralde noturno ainda não aconteceu) fralda ajustada da Fio da Terra com um absorvente de meltom 8 camadas, e por cima um shortinho ou calça de soft. Esses shortinhos e calças são excelentes, e por serem bem maiores que as capas, cobrem totalmente as ajustadas, evitando vazamento por contato com roupa ou lençol. Os contornos que havíamos comprado antes para Nícolas usar de noite, também passei para o Vinícius. A grande diferença das ajustadas pros contornos, é que elas têm botões de ajuste enquanto os contornos não têm, então fica mais fácil vestir, e também são maiores.

Como não estávamos mais usando AIO, fiz uma alteração na rotina de lavagem que eu já queria ter feito há bastante tempo, mas não era possível: passei a lavar capas e absorventes separadamente. A grande vantagem dessa mudança, foi que dessa forma eu podia lavar os absorventes com água quente, e também usar a secadora depois, o que deixa os absorventes mais macios, e com menos cheiro residual. Ainda, comprei vários absorventes extras (nem sei exatamente quantos temos agora), então passei a fazer lavagem dos absorventes do Nícolas 1 ou 2 vezes na semana somente. As capas por sua vez, eu passei a lavar junto de outras roupas da casa, principalmente toalhas. Então primeiro fazia uma lavagem rápida só com água nas capas sozinhas, pra tirar algum excesso de fezes, e depois colocava as toalhas junto na máquina e fazia uma lavagem normal, com sabão. Como as capas não absorvem de fato fezes e urina, então essa lavagem normal já é o suficiente para que fiquem bem limpas. Isso diminuiu o número de vezes que precisávamos usar a máquina de lavar por semana, já que a lavagem das capas acontecia quando outras roupas já seriam lavadas mesmo. 

Recentemente o Nícolas desfraldou de dia. Eventualmente ainda vestimos fralda nele, como por exemplo se vamos em algum local em que sabemos que não haverá banheiro de fácil acesso e limpo, ou quando ele vai pra aula de violino em seguida à aula de natação. Mas no geral, ele não usa mais fralda durante o dia. Para noite, ainda usamos a solução noturna que falei acima. 

 Acredito que ao longo desses 4 anos, Nícolas usou fraldas de panos de 90 a 95% do tempo; em algumas situações específicas usamos descartáveis, como quando ele estava com muita diarréia, ou quando estava assado e precisava usar pomada de tratamento, ou ainda em algumas poucas vezes em que esquecíamos de levar a bolsa de fralda quando saíamos, e aí tínhamos que correr em uma farmácia para comprar as descartáveis. Mas nossa primeira opção sempre era usar as fraldas de pano, e até mesmo em viagens conseguimos levá-las.
Por alto, nesses quase 4 anos em que Nícolas usou fraldas, creio que economizamos entre R$5000,00 e R$7000,00 por termos optado pelas fraldas de pano ao invés de fraldas descartáveis. E deixamos de jogar fora cerca de 10.000 fraldas, que levariam muitos anos para se decompor em aterros sanitários. Agora ainda estamos reaproveitando as fraldas que foram do Nícolas no Vinícius, e depois que Vinícius também desfraldar, poderemos doar para uma família que não tenha condições de comprar fraldas pro seu bebê. 
Fico feliz e tenho orgulho de poder dizer que usamos fraldas de pano no nosso menino desde o primeiro dia até o desfralde. E agora seguimos ainda com o Vinícius. Acho que quando ele também desfraldar, vou até sentir saudade de cuidar das fraldinhas... rsrs 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Páscoa sem Chocolate

Eu não comemoro a Páscoa porque não sigo nenhuma religião cristã, mas meu marido é católico e considera a Páscoa uma data muito importante. De toda forma, é comum que, acreditando ou não no significado da Páscoa, a grande maioria das crianças receba ovos de chocolate nessa época.
Na contramão da maioria dos pais, por aqui decidimos não dar chocolate pro Nícolas, e deixamos claro essa decisão para todos (principalmente pros avós), e ele não ganhou chocolate de ninguém. Nem na Páscoa, nem em nenhuma outra época do ano. O Nícolas nunca comeu chocolate; nem sabe que existe.
E não é só pela questão do veganismo: hoje em dia existem diversas opções de doces (até mesmo ovos de chocolate) veganos. É questão de saúde e educação alimentar mesmo. E também uma questão de praticidade para nós, pais. Enquanto ele não souber que chocolate existe, ele não vai sentir vontade ou pedir pra comer chocolate. Simples assim.

Nícolas ama frutas, e come suas frutinhas preferidas com a mesma vontade e felicidade que uma criança "normal" come doces industrializados. Mas no dia que ele descobrir que bala, pirulito, sorvete, chocolate e afins existem, talvez ele não sinta mais o mesmo prazer que sente hoje ao comer um kiwi. Por que então eu iria oferecer algo que não vai acrescentar nada pra ele, e ainda vai fazer com que ele talvez pare de apreciar tanto as frutas que hoje ele adora?

Sendo bem objetiva, eu juro que não entendo qual é a lógica em apresentar um "alimento" pra criança que provavelmente ela vai gostar (muito), vai ficar com vontade de comer, e os pais vão ter que negar... Eu não consigo ver nenhum tipo de vantagem em fazer isso, pra ninguém.
Pros pais é ruim, porque vão ter que ficar negando (corta o coração ter que negar algo pra um filho), talvez vão ter que começar a insistir pra criança comer frutas (porque ela já não vai ver mais a mesma graça no sabor) e talvez até comecem a enfrentar certas birras com a criança no corredor de "porcarias" do mercado querendo comprar tudo... 
Pra criança é ruim, porque vai ficar passando vontade sem poder se satisfazer...

Por isso tudo,  vamos evitar ao máximo que ele saiba da existência desse tipo de alimento (e outros também, como refrigerantes, salgadinhos industrializados, e todos os demais alimentos "gostosos" mas que não são saudáveis) enquanto for possível. Claro que não podemos e nem queremos  colocá-lo dentro de uma bolha. Algum dia ele vai descobrir que tais alimentos existem, possivelmente na escola (quando crescer e trocar de escola; na atual é proibido levar qualquer tipo de alimento, e eu acho isso ótimo) ou em alguma festinha de aniversário. Mas quanto mais pudermos adiar esse dia, melhor. Até porque, quanto mais tarde ele for apresentado a esse tipo de alimento, mais maturidade ele vai ter pra compreender que não é algo que se possa comer sempre e, espero eu, mais seu paladar vai estar acostumado a alimentos naturais e talvez ele até nem goste quando provar (será que é possível não gostar de chocolate?)

Considero que essa é uma decisão muito importante que estamos tomando pelo nosso filho e que vai lhe render bons frutos no futuro. Quem me dera se eu não tivesse sido apresentada a doces na infância, e hoje eu não gostasse tanto e sentisse tanta falta deles...


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Semana Mundial do Aleitamento Materno


Estou sem muito tempo para postar, mas quis passar aqui para não deixar essa Semana Mundial do Aleitamento Materno passar em branco.
Amamentação não se restringe unicamente a nutrição; é também sobre amor, aconchego, segurança, carinho, cumplicidade. Amo esses momentos tão únicos e tão nossos.



sexta-feira, 12 de junho de 2020

Mais sobre Fraldas de Pano Modernas: Contornos



Como eu falei na parte 3 do Resumo de um ano de Fraldas de Panos que escrevi, por volta dos 8 ou 9 meses do Nícolas começaram a ocorrer os vazamentos noturnos. Isso se deu tanto pelo fato das fraldas estarem impermeabilizadas, como relatei, como pelo aumento significativo da quantidade de xixi, o que é totalmente normal nessa fase. 
Fiz vários testes de combinações de absorventes que aguentassem a noite toda, e tivemos altos e baixos nesse processo. Quando acabei de escrever a última parte do Resumo (parte 4), eu estava razoavelmente satisfeita com o desempenho da combinação de absorventes que estávamos usando de noite, mas pouco tempo depois os vazamentos recomeçaram. Quando isso aconteceu, ficamos realmente decepcionados, e estávamos prontos para começar a usar fraldas descartáveis durante as noites, mas aí descobri sobres os contornos em um grupo de whatsapp sobre fraldas de pano que eu participei por um tempo. 
Para quem não sabe, os contornos são absorventes enormes, do formato de uma fralda mesmo, mas sem a parte impermeável. Eles são bem mais caros do que os absorventes comuns, mas a capacidade de retenção de urina é realmente muito maior. 
Fui no site Morada da Floresta e comprei cinco. E o que posso dizer é que foi a única coisa que resolveu os problemas de vazamentos noturnos que vínhamos enfrentando.

Hoje o Nícolas usa durante a noite uma fralda com interior em microsoft da Nós e o Davi com um absorvente de moletom 8 camadas no bolso e um contorno. Essa combinação dura umas 10 horas sem vazamento, e retém mais urina do que uma fralda descartável top (Mamy Poko azul escura).
Por ter essa quantidade enorme de recheio, a fralda fica realmente enorme; temos que deixá-la no ajuste G (as que ele usa durante o dia, ainda estão no ajuste M). Mas como o contorno tem elástico nas laterais, mesmo que o elástico da fralda não fique cavadinho devido ao enorme volume dela, o elástico do contorno fica bem justinho da virilha, então o xixi não vaza por essa abertura como ocorria quando a fralda estava bem volumosa só com absorventes comuns.

Estou realmente muito satisfeita. Mas mesmo assim, se fosse hoje eu não voltaria a comprar os contornos; ao invés disso, eu compraria o que chamam de "ajustadas" ou "fitted". No fundo são praticamente a mesma coisa, sendo a única diferença o fato que os contornos não tem botões, enquanto as ajustadas tem. Assim, na hora de vestir, as ajustadas são colocadas da mesma maneira que uma fralda de pano comum, e depois deve-se vestir uma fralda por cima (com ou sem absorvente no bolso) para garantir a impermeabilização. Já os contornos, por não terem botões nem nada que os prenda, só ficam fixos no corpo do bebê porque as fraldas os seguram. Então a hora de colocar é um pouquinho mais complicada: o bebê tem que ficar imóvel (ou se mexer bem pouco) durante a troca, para que o contorno fique no lugar certinho. Como o Nícolas não tem paciência para trocas de fralda, eu sempre deixo para colocar a fralda noturna após ele já estar dormindo, o que me rouba algum tempo de sono. Ao invés de relaxar e dormir enquanto ele está dando a mamada do sono dele, eu preciso ficar acordada aguardando ele acabar e largar o seio para só então vestir a fralda noturna e finalmente poder dormir. Para quem está com sono atrasado há quase dois anos, esses minutos perdidos diariamente são realmente valiosos...

quinta-feira, 26 de março de 2020

Iniciando o Desmame


Já falei anteriormente que eu amo amamentar!! Tivemos alguma dificuldade no começo, mas após vencidos os primeiros obstáculos, a amamentação fluiu super bem para Nícolas e eu, e realmente acho as horas que ele passa mamando um momento muito gostoso que dividimos, de carinho e cumplicidade.
Mas algumas vezes a amamentação não está mais sendo tão prazerosa quanto já foi em outros tempos, e não sinto nenhuma culpa em admitir isso.

Sei que o leite humano é o melhor alimento, incomparavelmente, pro bebê humano. E sei também que a amamentação vai muito além de simplesmente fornecer nutrientes pro bebê. Além da parte nutricional, o contato corpo a corpo da mãe com o bebê é essencial pra formação de vínculos, e pro crescimento psicológico saudável dele. Sou uma defensora ferrenha da amamentação, e nunca estimularia nenhuma mulher a desmamar seu bebê antes da hora...
Mas, por outro lado, também sou uma defensora ferrenha dos direitos das mulheres decidirem sobre suas vidas e seus corpos. Acredito piamente que a amamentação é uma relação entre duas pessoas (mãe e bebê), e como tal, tem que ser boa e prazerosa pros dois envolvidos. Não acho correto, de maneira nenhuma, pessoas que afirmam que a mãe tem que se sacrificar ao extremo, e aguentar toda dor (seja física ou psicológica) só pra amamentar... As fórmulas infantis existem justamente para os casos em que a amamentação não foi possível, ou para os casos em que a mulher simplesmente decidiu que não queria amamentar (sim, é direito da mulher, e ela não é uma péssima mãe por isso)!!

No meu caso, são dois os aspectos que começaram a me incomodar a respeito da amamentação:
O primeiro deles, é que em alguns momentos estou sentindo dor ao amamentar. Não sei exatamente se o Nícolas começou a fazer a pega de maneira errada novamente (suspeito que sim), se algumas vezes ele sente muita fome, e por isso suga com muito mais força (geralmente sinto dor nas mamadas da madrugada), se é por causa dos dentes que nasceram, ou uma junção de tudo isso. Estou tentando reajustar a pega, usando a mesma técnica que me ensinaram no Banco de Leite, quando ele era recém-nascido. Acho que está surtindo algum efeito, mas ainda é cedo pra afirmar...
E a segunda situação é o fato de eu me sentir "presa" pelo fato do Nícolas mamar durante a noite (e não conseguir se acalmar e pegar no sono novamente até que eu o amamente)... Já houve 2 oportunidades em que eu saí de noite sem ele - a primeira em uma festa que e eu fui com minha enteada mais velha, e a segunda, no aniversário de uma tia, que fui com minha irmã e minha enteada mais nova. Em ambas as ocasiões, fiquei super pouco tempo, e enquanto estava lá fiquei o tempo todo pensando que a qualquer momento o Nícolas poderia acordar e começar a chorar querendo mamar... Ao invés de aproveitar as festas, fiquei o tempo inteiro olhando para o celular, aguardando alguma ligação desesperada do meu marido dizendo que ele havia acordado e queria mamar.

De toda forma, quando eu falo que estou iniciando o desmame, não estou esperando que ele largue o peito do dia pra noite, nem estou fazendo aquele processo mais "comum" e doloroso, que consiste em deixar a criança chorar querendo mamar e tendo seu pedido negado, até finalmente se conformar que acabou (o que costuma acontecer depois de alguns dias ou semanas)...
Ao contrário disso, estou começando a guiar o desmame, tomando atitudes pequenas, para que ele ocorra de maneira lenta, suave e progressiva, de forma que o Nícolas esteja psicologicamente preparado para parar de mamar quando eu decidir que chegou a hora (o que não acredito nem quero que aconteça antes dos próximos seis meses - quando então ele fará 2 anos de idade).

Em termos práticos, o que comecei a fazer agora é tirar do peito o papel de "ferramenta para acalmar". Quando o Nícolas cai e se machuca, por exemplo, em vez de oferecer o seio para acalmar o choro, eu pego ele no colo, faço carinho, dou beijinhos, mas não ofereço o seio. Algumas vezes ele coloca a mão no meu seio enquanto chora, e eu deixo, mas continuo sem oferecer. Somente quando ele pede mesmo, durante algum tempo, é que eu deixo ele mamar pra se acalmar -  acontece quando ele se machuca um pouco mais sério, ou se assusta muito, como um dia desses em que ele estava escalando seu carrinho, e o carrinho virou, Nícolas caiu de cabeça direto no chão, e o carrinho ainda caiu por cima dele... :(

Quando ele já estiver bem acostumado a não usar mais o seio como forma de se acalmar/consolar, aí pretendo tirar também do seio a função de adormecer... Na creche ele já se dirige sozinho para seu colchãozinho, quando sente sono, e dorme. Em casa, quando está sozinho com o pai, também acontece. Mas se eu estou em casa, raramente ele dorme se não for mamando. Pretendo ir também aos poucos tirando esse hábito dele, de forma que ele se acostume a dormir de alguma outra forma, que não mamando (talvez ouvindo uma historinha, ou uma musiquinha).

Acredito que quando isso acontecer e o seio deixar de ser uma ferramenta para outra finalidade que não nutrir, o desmame vai acontecer de maneira muito mais fácil e sem sofrimento. Porque, nesse caso, eu estarei tirando dele somente uma forma de se alimentar, e posso dar outra em substituição (até mesmo uma mamadeira), mas ele não vai ter dificuldades para suprir outras necessidades, como se acalmar e dormir.

Mas após citar algumas vantagens em deixar de amamentar, não posso deixar de citar vantagens que vejo em amamentar.
Primeiro, é muito tranquilizante para mim ter a opção de amamentar quando ele está doentinho e sem apetite. Além de nutrir, o leite também hidrata, então mesmo quando ele está indisposto e não aceita comer ou beber nada, o fato de estar mamando já me deixa muito menos preocupada com uma possível desidratação ou desnutrição.
Segundo, amamentar é muito prático. Quando vamos sair, não tenho que ficar me preocupando em levar lanchinhos para o Nícolas. Se por algum motivo o lugar onde formos não tiver nenhuma opção pra ele comer e bater a fome, basta eu dar o peito. Claro que essa não é uma solução para todos os dias (uma vez que, após 1 ano de idade, o leite humano é somente um complemento, e não mais a refeição principal da criança), mas para de vez em quando quebra um galho muito grande, sim.
E, por último, mas não menos importante, é a questão do carinho trocado durante a amamentação. Uma das coisas que mais gosto de fazer é me sentar na cadeira de balanço e assistir a um filme, enquanto ele mama e dorme no meu colo. E sei que ele também adora esses momentos em que fica adormecido "chupetando" meu seio, e se sentindo acolhido e amado. É um momento simplesmente maravilhoso, e tenho certeza que vou (vamos) sentir muita falta disso quando essa etapa nas nossas vidas passar.

Mas, uma vez que é inevitável que o desmame aconteça, estou bem segura que ir conduzindo de forma gradual e gentil, preparando meu garotinho (e a mim também) para essa ruptura em nossas vidas, é a melhor maneira de fazê-lo.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 4): Situação atual e algumas comparações



Atualmente temos 35 fraldas de pano, divididas em:
* 15 fraldas AIO da Nós e o Davi, com exterior em PUL;
* 8 fraldas de bolso da Nós e o Davi com exterior em PUL e interior em dry-fit;
* 3 fraldas de bolso da Nós e o Davi modelo antigo de piscina (exterior em lycra, tecido impermeável intermediário e interior em dry-fit)
* 6 fraldas de bolso da Nós e o Davi com exterior em PUL e interior em microsoft; *noturno
* 3 fraldas chinesas, das marcas Happy Flute, Elliphant e Littles & Boomz, com exterior em PUL e interiores variados (não sei exatamente os materiais)
Além disso, temos:
* 9 absorventes faixa de melton, da Nós e o Davi;
* 6 absorventes pequenos (reforço) de melton da Nós e o Davi;
* 1 absorvente noturno de melton da Nós e o Davi; *noturno
* 2 absorventes de cânhamo; *noturno
* 6 absorventes de moletom de 8 camadas; *noturno
* 1 absorvente de moletom de 6 camadas;
* 1 absorvente de moletom  de 4 camadas;
* 2 absorventes de fralda RN de microfibra (presenteados por uma amiga que também usa fraldas de pano, para eu testar);
* 2 absorventes de carvão de bambu, um com e outro sem elástico (também presenteados pela amiga);
* 1 absorvente de melton 8 camadas (também presenteados pela amiga); *noturno
* 1 absorvente de melton 6 camadas + fleece 1 camada (também presenteados pela amiga). *noturno

Considero esse número muito bom para a nossa rotina. Com essa quantidade de fraldas, consigo fazer somente 2 lavagens por semana, e não ficar "apertada" no número de fraldas.
As fraldas de bolso com interior em microsoft, deixo exclusivamente para uso noturno. Uso com um absorvente de moletom 8 camadas (às vezes coloco um reforço de melton junto), com um dos absorventes noturnos que minha amiga me presenteou (melton 8 camadas ou melton 6 camadas + fleece) ou um absorvente de cânhamo envolvido com um absorvente de melton noturno - pra mim essa é a melhor opção, mas como tenho somente 2 absorventes de cânhamo e 1 absorvente noturno de melton, alterno com o uso dos demais absorventes noturnos. 
Todas as demais fraldas e absorventes são para uso diurno. Escolhemos qual tipo de absorvente/fralda usar dependendo das condições. Por exemplo, se vamos fazer um passeio mais longo, prefiro usar uma fralda de bolso com absorvente de moletom 6 ou 4 camadas, que absorvem mais que os de melton, para não precisar trocar a fralda na rua, nem termos risco de vazamento.

A manutenção e higienização das fraldas acontece da seguinte maneira: Assim que tiramos a fralda do Nícolas, se ela estiver somente com xixi, colocamos direto no balde de armazenamento (uma lixeira grande com tampa que comprei com essa finalidade), sem fazer mais nada. Se a fralda tiver fezes, tiramos as fezes com uma colher (deixamos uma colher só pra isso no banheiro), descartamos as fezes no vaso sanitário, e aí sim colocamos a fralda no balde de armazenamento.
É muito importante guardar as fraldas em um recipiente fechado com tampa para que o xixi não seque, pois caso seque, formam-se cristais de amônia, que são bem difíceis de tirar, e deixam um cheiro horrível nas fraldas (lixeiras com aquelas tampas "vai e vem" não servem, pois entra ar pelas frestas da tampa).
Também, as fraldas tem que ser armazenadas somente com o xixi e cocô. Pode parecer uma boa ideia deixar as fraldas de molho em água, ou água e sabão, até a hora de lavar, ou fazer um enxágue no tanque antes de colocar no recipiente de armazenamento de fraldas sujas, mas na verdade não é. Isso porque a presença do xixi nas fraldas evita que elas mofem. Então a melhor forma de armazená-las enquanto aguardam o dia da lavagem é também a forma mais simples: sujas de xixi, como estarão assim que saírem do bebê. Já vi algumas pessoas relatando inclusive que armazenam também sem retirar as fezes, e retiram somente na hora de lavar. Dizem que isso facilita, pois é mais fácil remover as fezes já secas em vez de tirar assim que o bebê evacua. Mas no nosso caso, preferimos raspar as fezes assim que trocamos as fraldas, pra evitar termos que levar todas as fraldas de fezes pro banheiro e gastar um tempão limpando de uma só vez (preferimos ir fazendo aos poucos, à medida que trocamos as fraldas).
Lavo as fraldas duas vezes na semana: nas sextas e nas segundas. Na verdade, inicio a lavagem na noite anterior, e finalizo nos dias citados. Faço dois processos longos de lavagem (na minha máquina, coloco o ciclo mais longo que existe - lavagem de roupa de algodão - e ainda seleciono pré-lavagem e enxágue extra). No primeiro processo, coloco as fraldas sujas direto do balde de armazenamento, e lavo sem colocar nenhum produto. Essa primeira lavagem é pra tirar o "grosso"de xixi e cocô. Como o ciclo é bem longo (mais de 4 horas), ligo a máquina de noite, e vou dormir. No outro dia de manhã, assim que acordo, seleciono novamente o mesmo programa de lavagem, mas dessa vez adiciono o sabão líquido (tenho usado OMO Sports). Escolhi esses dias justamente porque às sextas-feiras nós só trabalhamos pela manhã, então assim que chegamos em casa, no início da tarde, já colocamos as fraldinhas no varal; e às segundas nossa faxineira vem, então ela coloca as fraldas no varal assim que termina a lavagem. Penduramos as fraldas em um varal de chão que fica na varanda (pega sol pela manhã), e no máximo em 2 dias já está tudo seco (incluindo as AIO e os absorventes mais felpudos).


Comparação: Fraldas chinesas X Fraldas brasileiras

A maior parte das minhas fraldas são brasileiras, da marca Nós e o Davi. Comprei somente 3 fraldas chinesas, uma de cada marca (Happy Flute, Elliphant e Littles & Boomz) para testar, em uma época que estávamos passando por vazamentos noturnos sem solução (falei sobre isso na Parte 3 desse Resumo). E minha opinião é que as chinesas são muito superiores às brasileiras (pelo menos as marcas que eu comprei - existem outras marcas de chinesas e outras marcas de brasileiras, mas eu só testei essas 4 citadas).
Achei que o tecido das fraldas chinesas (principalmente a da Happy Flute e da Elliphant) é mais maleável, e dá um caimento bem melhor no bebê, ficando mais ajustada, além de ficar menos volumoso. Também, o elástico na perninha é mais forte, e torna a fralda muito mais segura contra vazamentos. E a fralda da Happy Flute (minha preferida) tem uma faixa de tecido impermeável na cintura, sem material absorvente, que evita que haja escapes de xixi pela parte frontal superior (algo que acontece principalmente com meninos).
Claro que essa é a minha opinião, baseada na minha experiência, não uma verdade absoluta. As opiniões variam muito dependendo de diversos fatores, principalmente do biotipo do bebê. Já vi uma pessoa reclamando certa vez das fraldas que têm elásticos fortes nas coxinhas, pois isso deixava seu bebê marcado, pois ele tinha coxas grossas. Pro Nícolas, que tem pernas finas, os elásticos fortes são excelentes.
Mas mesmo com essa minha percepção, se eu fosse refazer hoje o enxoval do meu filho, ainda assim optaria por marcas nacionais, por todas as questões que eu citei neste post. O que pretendo fazer, se tiver oportunidade (isso é, se eu sentir necessidade de ter mais fraldas, por algum motivo), é testar outras marcas nacionais. Ouvi falar muito bem de uma marca chamada Mayuri, e fiquei curiosa. Mas não pretendo comprar a não ser que eu realmente sinta necessidade de mais fraldas.


Comparação: Fraldas AIO X Fraldas de bolso (pocket)

Quando eu comecei a escrever esse Resumo de Um Ano de Fraldas de Pano, eu estava bem chateada com alguns problemas que vinha tendo com as fraldas AIO, e estava mesmo convencida a adquirir novas fraldas de bolso e desistir de vez das AIO. Agora os problemas das AIO já foram solucionados, e eu desisti de desistir delas... rsrsrs
Mas, já com experiência na causa, posso dizer que as fraldas AIO são bem práticas (não precisa montar na hora de vestir, e, principalmente, desmontar na hora de lavar - odeio  não é a melhor experiência desmontar as fraldas sujas antes de colocar na máquina - e também não acontece de o absorvente "embolar" dentro do bolso e vazar xixi - isso pode acontecer com as pockets), mas não dão certo para qualquer situação. 
Para usar AIO, a pessoa não pode morar em uma cidade fria e/ou úmida, pois elas vão demorar muito tempo para secar, e vão acabar ficando fedorentas. Também, o ideal é que as AIO peguem bastante sol, também para não ficarem com cheiro ruim impregnado. 
Pras fraldas de bolso (ou pocket), o sol também é muito bem-vindo, para tirar manchas do forro, ou para tirar mau cheiro acumulado nos absorventes. Mas caso não haja a possibilidade de pegar sol, os absorvente podem ser lavados com água quente ou fervidos, e o cheiro sai. As AIO não podem passar por esse processo, pois isso danificaria o tecido impermeável...
Também, montar um enxoval só com fraldas AIO fica mais caro que montar um enxoval com fraldas de bolso. Isso porque, como as AIO demoram mais pra secar do que as de bolso (as capas já saem da máquina quase secas), pra um enxoval formado somente por fraldas AIO, o número de fraldas deve ser calculado por: 
 >> "número de fraldas que se usa por dia" x {"número de dias entre uma lavagem e outra " + "número de dias para secar"} + 2 <<
(o "+2" foi incluído considerando-se que o bebê usa 2 fraldas durante o tempo que a máquina leva para lavar as fraldas)

Já com as fraldas de bolso, pode-se calcular o número de capas somente como:
>>  "número de fraldas que se usa por dia" x "número de dias entre uma lavagem e outra " + 2 <<

e pro número de absorventes, a conta das fraldas AIO (o que fica bem mais barato, já que os absorventes são a parte barata das fraldas, e pode-se até mesmo fazer absorventes com roupas de moletom ou toalhas antigas, ou outros tecidos que desejar, de maneira não muito trabalhosa). 
Ainda, pode-se optar por lavar separadamente capas e absorventes, fazendo uma lavagem mais simples pras capas (ou mesmo lavando junto de outras roupas da casa - somente tendo-se o cuidado de não lavar com água quente) e uma lavagem mais profunda para os absorventes, com pré-enxague, e até mesmo com água quente, se houver necessidade. E numa emergência, pode-se secar os absorventes na máquina, algo que não pode ser feito com as fraldas AIO, pois isso danificaria sua parte plástica.
E, mais uma vantagem das fraldas de bolso em relação às AIO, é a possibilidade de testar diferentes absorventes, e modificar a composição da fralda para as diversas situações.


Comparação: Fraldas de pano X Fraldas descartáveis

Não há dúvida quanto ao fato de as fraldas descartáveis serem mais práticas que as de pano. Deixando a questão ambiental de lado, não tem como imaginar algo mais prático do que jogar algo indesejado no lixo e não precisar mais se preocupar com o que vai acontecer a partir daí. 
Mas, diferente do que muita gente pensa, o trabalho demandado pelas fraldas de pano não é nada de outro mundo. Sim, precisam ser lavadas, mas isso é feito pela máquina de lavar, e o processo acaba sendo feito de forma tão automática depois que entra na rotina, que não me parece que esse seja motivo suficiente para se tornar um impeditivo (assim como ninguém usa roupas e as descarta quando sujas porque acha que o trabalho de lavar roupas é grande demais). Basta se organizar e adequar a rotina de lavagem das fraldas, tal qual fazemos com as demais roupas da casa, e voilá!

Na nossa casa, tentamos usar as fraldas de pano exclusivamente, mas em algumas situações lançamos mão das fraldas descartáveis. São elas:
* Quando não temos fraldas de pano secas (raro, mas algumas vezes acontece, por desorganização na rotina de lavagem);
* Quando Nícolas está com diarréia;
* Quando fomos viajar, usamos descartáveis durante 2 dias antes das viagens de ida e volta, pra dar tempo de lavar e secar as de pano para colocar na mala;
* Quando estávamos sofrendo com vazamentos noturnos, colocávamos as descartáveis para dormir nas noites em que estávamos muito cansados, para evitar vazamentos;
* Quando esquecemos de levar a mochila dele para a creche (aconteceu algumas vezes), as cuidadoras usam as descartáveis que a própria creche fornece;
* Quando Nícolas está com assadura e precisamos usar pomadas de tratamento, que danificam a fralda de pano. (Na última vez que ele teve assadura, devido a uma diarréia ocasionada por antibiótico, usamos Liner junto da fralda de pano, e a assadura sarou bem rápido - mais rápido do que se tivesse usando fraldas descartáveis)

As fraldas descartáveis também apresentam a vantagem de vazarem menos. Como mencionei, durante a época que estávamos passando por vazamentos noturnos, nas noites que estávamos muito cansados, usávamos fraldas descartáveis, e só houve uma noite que a fralda descartável vazou (e ela era diurna - nunca compramos das noturnas). Também, acho elas bem cheirosas, diferente das de pano, que variam de inodoras (quando tudo vai bem) a fedorentas (quando algo está mal no processo de lavagem/secagem).
Mas as vantagens das fraldas de pano são evidentes, e já tratei sobre elas antes. Vão desde um melhor conforto, já que elas são mais frescas e não possuem um monte de componentes químicos que irritam a pele delicada do bebê; passam pela questão financeira, já que a médio e longo prazo o valor gasto com fraldas descartáveis é muito maior que o preço de um enxoval completo de fraldas de pano; até a questão fundamental do meio ambiente: são toneladas de lixo que evitamos produzir e descartar.


Conclusão

Ao final deste um ano usando fraldas de pano (na realidade, um ano e quase quatro meses, agora que termino esse último post), posso dizer que foi uma decisão muito acertada utilizá-las. Não me arrependo de forma alguma em ter investido nas fraldinhas de pano em vez de usar as descartáveis.
A única coisa que eu faria diferente, seria comprar só algumas fraldas de modelos e marcas brasileiras variadas (uma de cada modelo) pra testar, e depois montaria o enxoval completo (depois que o bebê já tivesse nascido e eu usado as fraldas nele), em vez de comprar todas iguais no começo (comprei 17 AIO da Nós e o Davi) .
Talvez alguma outra marca brasileira me agradaria mais que a Nós e o Davi (como foi com a Happy Flute), e provavelmente eu optaria pelas de bolso, e não as AIO (mas ainda agora não tenho certeza disso - minha opinião sobre as AIO tem variado demais; tem horas que eu adoro as AIO, e tem horas que não gosto delas). O mesmo raciocínio serve para os absorventes.
Se eu tivesse que montar um enxoval do zero hoje, com as experiências que eu tenho (ou seja, somente dentre as marcas/modelos/materiais que eu já testei), eu montaria meu enxoval da seguinte maneira: Para o dia, usaria fraldas Nós e o Davi de bolso, com interior em dry-fit e exterior em PUL, com absorventes em melton. Acrescentaria mais ou menos absorventes (dentre os de faixa, noturno ou reforço), dependendo da ocasião. Para a noite, usaria fralda de bolso com interior em microsoft e exterior em PUL, com um absorvente de cânhamo envolvido por um absorvente noturno de melton.
Eu testaria ter poucas fraldas e muitos absorventes, e iria alterar minha rotina de lavagem: em vez de fazer 2 lavagens por semana das fraldas + absorventes, como faço hoje, eu lavaria mais vezes as capas (inclusive, poderia fazer uma pré-lavagem rápida das capas, no tanque mesmo ou em um ciclo rápido da máquina, pra tirar o "grosso" e depois lavar junto de outras roupas), e lavaria os absorventes separados, somente uma vez por semana, no ciclo de lavagem longo que eu citei. Como as capas não retém urina nem fezes (por não serem de material absorvente, ficam somente um pouco sujas), não é realmente necessário fazer o ciclo longo de lavagem com elas.
Hoje não uso essa rotina de lavagem, porque a maioria das minhas fraldas são AIO, então elas precisam do ciclo de lavagem longo para ficarem bem limpas.

Concluindo, posso dizer que estou muito satisfeita, e sempre que tenho oportunidade falo dos benefícios das fraldas de pano pro meio ambiente, pro bebê e pros bolsos dos pais, para ver se consigo conquistar mais adeptos pro mundo dos bumbuns-de-pano.



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Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 3): Vazamentos noturnos e impermeabilização

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 3): Vazamentos noturnos e impermeabilização


Como eu falei na Parte 1 do "Resumo de um ano de Fraldas de Pano", logo que o Nícolas nasceu eu trocava a fralda a cada mamada noturna. Depois fui diminuindo com o tempo, até que não fazia mais nenhuma troca durante a noite. E as fraldas aguentavam muito bem. Mas à medida que ele foi crescendo, começou a fazer mais xixi durante a noite, e consequentemente as fraldas começaram a amanhecer cada dia mais cheias de xixi, até que começamos a ter os vazamentos noturnos.
Aí voltei a fazer uma troca de fralda durante a noite, mais ou menos à 1h00 ou 2h00 da madrugada...

Não seria nada muito complicado se o Nícolas não tivesse começado a acordar durante as trocas, e a lutar contra elas (quando RN e até um pouco depois, eu conseguia fazer as trocas sem acordá-lo). Aí começou a se instaurar um certo caos durante a madrugada: se eu não trocasse a fralda, ela iria vazar, e se eu trocasse, ele iria acordar, chorar, lutar, esbravejar e algumas vezes até acabar perdendo o sono no meio da madrugada... Tentei algumas estratégias para trocar a fralda da forma mais tranquila possível (como trocar logo depois de amamentar, quando ele estava "desmaiado" com a barriguinha bem cheinha), mas mesmo assim nem sempre funcionava.

Depois de um tempo, mais ou menos na altura dos 8 ou 9 meses, mesmo que eu fizesse a troca, a fralda vazava. Teve uma época que independente do que eu fizesse (de quantas vezes eu trocasse), a fralda sempre vazava durante a noite, e acordávamos com a cama encharcada. Fiquei tentando descobrir qual seria a causa, e acredito que foram vários fatores somados:
* O Nícolas realmente estava fazendo um quantidade muito maior de xixi;
* O Nícolas tem as perninhas (e as coxas) finas, então mesmo colocando a fralda bem cavada na virilha, ainda assim sobrava muito espaço entre o elástico da lateral da fralda e a coxa;
* Quando RN ele dormia sempre de barriguinha pra cima, o que de alguma forma "compensava" o fato de ele ter as pernas finas. Mas a partir do momento em que começou a dormir de lado ou bruços, e a se mexer durante a noite (e ele se mexe bastante), começou a criar um caminho direto pro xixi sair por esse espaço lateral.

Tentei resolver o problema colocando um absorvente pequeno de melton fora do bolso da fralda ou por cima do absorvente da AIO, e algumas vezes funcionou, mas outras noites vazava mesmo assim. Novamente conversando com aquela revendedora de fraldas de pano que eu citei na Parte 2 desse "Resumo de um ano de Fraldas de Pano", descobri que os absorventes de moletom são os com maior capacidade de armazenamento de líquidos, e comprei 6 absorventes de moletom de 8 camadas para testar. Na primeira noite que usei o absorvente de moletom 8 camadas com uma das fraldas envelope, não tivemos vazamento, e eu fiquei muito feliz, achando que tinha resolvido o problema. Mas já na segunda noite, a fralda vazou... Tentei então a estratégia do absorvente pequeno de melton por fora do envelope da fralda (em conjunto com o absorvente de moletom, por dentro do envelope), mas a fralda ficou simplesmente enorme desse jeito, muito ruim pra vestir no Nícolas, e com um espaço enorme entre o elástico da lateral e a perninha dele. E mesmo com essa configuração, tinha noites que a fralda vazava...

Até que comecei a perceber que a fralda vazava, mas o absorvente não ficava encharcado... Na realidade, ele ficava quase seco. Aí me deu o estalo, e resolvi conferir se as minhas fraldas não estariam impermeabilizadas. Fiz o teste e... estavam!!! Praticamente todas!!!!
Não sei o que causou a impermeabilização... se foi muito sabão, se por acaso na creche eles usaram a pomada errada, ou sei lá qual fator... Só sei que elas estavam totalmente impermeabilizadas, e dessa forma seria realmente difícil absorver o xixi... Fiquei bem chateada com essa situação. Tentei fazer lavagens com shampoo anti-resíduos, mas na realidade não resolveu meu problema milagrosamente, como eu esperava que fosse... Até hoje ainda estou tentando resolver o problema da impermeabilização. Já não estão mais tão ruins quanto antes, mas também não estão com sua capacidade total de absorção...

Mas voltando ao problema específico dos vazamento noturnos (e alguns diurnos também), nesse ponto eu já estava bastante chateada de praticamente todos os dias a fralda vazar, e nos dias que estávamos mais cansados até começamos a usar fraldas descartáveis. Cheguei a cogitar em desistir de usar fralda de pano durante a noite, mas antes de tomar essa medida extrema, tentei uma última estratégia: mudar as fraldas. Comprei então 3 fraldas de marcas diferentes, chinesas, e também comprei 6 fraldas da Nós e o Davi com o interior em microsoft, e não mais em dry-fit, como eram as que eu tinha comprado anteriormente.
Para minha grande alegria, essas novas fraldas da Nós e o Davi, com interior em microsoft, associadas aos absorventes de moletom, resolveram os problemas de vazamento!!! Depois disso, esses episódios se tornaram raridade, e quando acontecem é porque não conseguimos vestir a fralda de maneira correta, por o Nícolas ter ficado se contorcendo na hora de vestir.
Na hora de comprar, tive a ótima ideia (modéstia à parte) de comprar as fraldas para a noite (interior em microsoft) todas em cores lisas, sem estampas. Dessa forma, fica muito fácil para diferenciarmos quais são para usar de noite (as lisas) e quais são para usar de dia (as que eu já tinha anteriormente, todas estampadas, exceto uma que eu havia comprado lisa).
Sobre as três fraldas chinesas, eu amei elas (mais até que as da Nós e o Davi), mas vou deixar pra falar mais disso em um post futuro.

Por irônico que possa parecer, depois de toda essa novela com os vazamentos, hoje já não precisamos mais vestir as fraldas noturnas pro Nícolas dormir. Nesse último mês ele reduziu bastante o número e duração das mamadas noturnas, então diminuiu bastante a quantidade de xixi que ele faz durante a noite. Agora podemos deixar ele dormir com a fralda AIO que veio vestido da creche (colocada mais ou menos às 18h00), e ela dura tranquilamente até o dia seguinte... Mas de toda forma, valeu ter comprado as fraldas noturnas, porque já me avisaram que quando os dentes começarem a nascer, ele vai voltar a mamar bastante, e vai aumentar o volume de xixi. Aí já estaremos preparados pra passar por essa nova fase sem os malditos vazamentos...

**EDIT: Pouco depois de eu publicar esse post, Nícolas voltou a fazer bastante xixi durante a noite, ainda mais do que antes, e voltamos a sofrer com os vazamentos noturnos, mesmo com as fraldas com interior em microsoft e os absorventes de moletom de 8 camadas.
Essa última noite fiz mais um teste: além do absorvente de moletom 8 camadas, adicionei um absorvente de cânhamo, que uma amiga me presenteou (dizem que é o que mais "segura" xixi, mais até que o de moletom, diferente do que me falou a revendedora). O recheio ficou enorme, e pra conseguir vestir direito no Nícolas, tive que abrir totalmente os botões de ajuste, configurando a fralda para "tamanho G". Feito isso, para minha grande alegria, não tivemos vazamentos essa noite!! Estou torcendo para continuar assim.



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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 2): Mau cheiro nas fraldas


Ainda falando sobre minha experiência com as fraldas de pano (comecei a falar sobre esse assunto aqui), se no primeiro semestre de utilização eu estava bastante satisfeita com as fraldinhas e consegui utilizá-las sem nenhuma dificuldade, isso mudou ao longo do segundo semestre. Tivemos dois problemas principais - mau cheiro nas fraldas e vazamentos noturnos. Vou tratar do primeiro deles neste post, e falar sobre o segundo em um post futuro.

Vários foram os fatores que mudaram ao mesmo tempo, e me trouxeram desafios diferentes daqueles experimentados no primeiro semestre. Foram eles:
* O aspecto das fezes do Nícolas mudou completamente depois da introdução alimentar. Quando ele se alimentava exclusivamente de leite materno, eu colocava as fraldas sujas de fezes direto na máquina, mas  isso se tornou impossível depois que ele passou a comer comida (e a fazer "cocô de adulto").
* Também depois da introdução alimentar, o Nícolas, que praticamente não evacuava mais nas fraldas, mudou a frequência e horário de evacuar (antes isso estava bem estabelecido), e parece que pegou raiva do penico. Vejo relatos de pais que dizem que a higiene natural passa por retrocessos mesmo, então não insisti, e quando ele não quer usar o penico, deixo que evacue na fralda, sem problemas.
* Além da mudança de frequência e horários para evacuar, ele também começou a ir pra creche, e lá eles não fazem o processo de higiene natural. Nas primeiras semanas ele só evacuava em casa, mas a partir do momento em que começou a se sentir mais confortável na creche, passou a evacuar lá também, sempre na fralda.
* Com a minha volta ao trabalho, passei a acumular por mais tempo as fraldas sujas antes de lavar, já que não tinha mais a mesma disponibilidade para lavá-las como no período em que estava em casa
* O inverno chegou, e meu varal, que antes pegava pouco sol, passou a não pegar sol nenhum.
* Somado ao item anterior, o clima esfriou, e as fraldas, que antes secavam relativamente rápido, passaram a demorar muito mais para secar.

Todos esses itens somados, resultaram em fraldinhas fedorentas... Assim que saíam do varal, elas não apresentavam um cheiro tão forte, mas bastava eu colocar no Nícolas, e pouco tempo depois (provavelmente quando ele fazia o primeiro xixi), o cheiro ruim já ficava bem perceptível. Isso era particularmente forte nas fraldas que comprei na primeira leva (as com uma camada de impermeável entre a camada interna absorvente e a externa), mas nas fraldas das segunda e terceira levas (as com camada externa em pull) também notei esse cheiro, embora mais fraco.

Pra resolver o problema do cheiro, tentei fazer um molho e lavagem com bicarbonato de sódio, mas parece que ele reagiu com o tecido impermeável das fraldas da primeira leva, e essa camada ressecou e começou a se desfazer... Dessa forma, essas fraldas começaram a vazar após 1 ou 2 horas de uso, mais ou menos... Ainda fiquei por um tempo utilizando elas, com o cuidado de fazer trocas mais frequentes, mas por fim terminei por aposentá-las... Estão guardadas em casa, esperando eu decidir o que fazer (tenho pensado se guardo pra usar quando Nícolas estiver na época do desfralde, se corto e uso a parte absorvente como absorvente das fraldas de bolso, ou se faço uma doação pra alguém com poucos recursos - antes elas do que nenhuma, né?)

Depois desse problema com o mau cheiro, criei uma certa aversão pelas fraldas AIO. Porque, caso minhas fraldas fossem do modelo "bolso", eu poderia fazer uma lavagem profunda somente nos absorvente, com água sanitária, ou mesmo fervê-los, para solucionar o problema do cheiro. Mas no caso das AIO, isso pode danificar a parte plástica das fraldas...
Conversei com uma revendedora de fraldas de pano, e ela me contou que parou de trabalhar com fraldas AIO justamente por causa dessa questão do meu cheiro, que pode chegar a um ponto que se torne quase impossível solucionar...
Ela também me orientou a lavar as fraldas com um sabão mais forte, "omo sport", e em uma quantidade normal para lavar roupa muito suja, como são as fraldas (ao contrário do que alguns fabricantes falam - para lavar com bem pouco sabão de coco, que é mais suave).
No meio disso tudo, me mudei, e o novo apartamento que moro tem uma varanda enorme que pega bastante sol!! Com a mudança do sabão para lavagem e o sol novamente disponível para secar as fraldas, o cheiro ruim sumiu, mesmo nas fraldas AIO segunda geração (as da primeira geração foram definitivamente aposentadas porque o impermeável estragou, apesar de essas também não apresentarem mais cheiro ruim).

De toda forma, como as AIO que eu havia comprado inicialmente (com o tecido impermeável intermediário) estragaram, eu teria que comprar mais fraldas, então decidi ir aposentando aos poucos as minhas AIO, e começar a investir em fraldas de bolso. Assim, comprei 8 fraldas de bolso com interior em dry-fit, e mais 5 absorventes faixa de melton (eu já havia comprado 6 absorventes pequenos de melton antes).

Então, aprendi com essa experiência que:
* Fraldas sujas são realmente sujas, e devem ser tratadas como tal. Usar sabão suave e em pequena quantidade, não vai ser suficiente para limpá-las, e vai dar mau cheiro. Portanto, para lavá-las, deve-se usar sabão na quantidade indicada pelo fabricante do sabão, e deve-se de preferência usar um sabão específico para roupas sujas e com forte odor (como é o caso do OMO Sport).
* Sol é essencial, principalmente para quem usa fralda AIO. Quanto mais sol as fraldas pegarem, menos cheiros e manchas elas vão apresentar.
* Fraldas AIO só funcionam para quem mora em uma cidade seca, quente e tenha onde deixá-las pegando muito sol. Caso contrário, será decepção na certa

Solucionado o problema do mau cheiro, ou ainda enquanto estávamos no meio desse problema, surgiu o segundo problema: os vazamentos noturnos frequentes. Esse assunto vou tratar na Parte 3 do "Resumo de um ano de Fraldas de Pano"



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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Primeiros sapatos



Agora que está ensaiando seus primeiros passinhos, Nícolas ganhou seu primeiro par de sapatos! Compramos na sexta-feira, dia 11/10, um par de Crocs azul royal, numeração de bebê, e coube certinho nele. Achei que ele fosse estranhar, por não ter hábito de usar sapatos até hoje, mas depois de alguns poucos passos no estilo "andando na lua", ele já se acostumou e começou a andar naturalmente com seu novo sapatinho.

Na verdade, ele já tinha ganhado antes uma sandália de pano, quando era bem bebezinho, mas que eu usei pouquíssimas vezes nele, só pra "enfeitar". Depois também ganhou um sapato bem legal, da Ufrog, de neoprene, bom para usar em áreas molhadas. Mas sapato mesmo, rígido, a Crocs foi o primeiro.

Além do importantíssimo fato de Crocs ser um calçado vegano, gosto da praticidade para calçar e tirar, da facilidade em higienizar e do conforto que apresenta, além de ser bem fresquinha (já que o Nícolas é bem calorento, isso também é um ponto importante). E, embora seja uma opinião polêmica, acho Crocs lindas!!! 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 1): O início


Nícolas completou seu primeiro aninho de idade há 11 dias, e hoje completamos um ano usando fraldas de pano. Ao longo desse período tivemos altos e baixos em relação às fraldas, e adquiri alguma experiência, que  vou tentar resumir aqui, para quem sabe servir de informação pra alguém, ou até como registro para mim mesma, para me relembrar, caso daqui a um tempo pinte outro bebê por aí...

Não começamos a usar as fraldas de pano desde o nascimento. A maternidade onde Nícolas nasceu fornecia 6 fraldas por dia para os recém-nascidos. Além disso, ganhamos também na maternidade um quite com vários produtos a título de “amostra grátis”, e nesse quite vieram fraldas descartáveis. Como iria ser trabalhoso demais levar as fraldas pra maternidade e conseguir conciliar a lavagem, estando internada (meu marido teria que ficar levando as fraldas em casa, esperar acabar de lavar para colocar no varal, depois voltar em casa para busca-las quando secassem), resolvemos que seria melhor esperar chegar em casa para utilizá-las. Quando chegamos em casa, os primeiros dias também foram meio complicados (principalmente em relação à recuperação da cesariana – eu não conseguia me abaixar para colocar/tirar roupas da máquina de lavar), então resolvemos estender um pouco mais o tempo de utilização de fraldas descartáveis para até quando acabassem as que ganhamos como amostra grátis na maternidade. Não me recordo com certeza, mas talvez meu marido ainda tenha comprado mais um pacote de fraldas descartáveis, até que começássemos a usar de fato as de pano. O que sei é que o primeiro registro que tenho do Nícolas usando fralda de pano é essa foto do início do post, com 11 dias de vida. Considero, então, que essa foi a data em que começamos a usar as fraldinhas de pano, de fato. (na realidade tenho uma foto dele com fralda de pano no dia que chegamos da maternidade, já que eu estava ansiosa para ver como ele ficaria com elas, mas recordo que após uma ou duas fraldas, resolvemos estender um pouco mais o tempo de utilização das descartáveis).

Nícolas nasceu com 3,395kg, e saiu da maternidade com 3,215kg. No dia que começamos a usar as fraldas de pano, ele ainda não tinha atingido o peso mínimo de utilização, que segundo o fabricante é 4kg. Dá pra ver pela foto que ficou bem folgadinha, principalmente nas coxinhas. Mas mesmo assim não tivemos grandes problemas. Ocorreram alguns vazamentos, mas só até eu aprender (vendo vídeos/fotos em um grupo do facebook sobre fraldas de pano) que a fralda deve ser colocada bem “cavada” na virilha do bebê. Após isso, não tive mais problemas sérios de vazamento (pelo menos nessa fase dele pequenininho – futuramente começamos a ter problemas, que vou relatar mais à frente).

De início eu só tinha 17 fraldas AIO (da versão antiga da Nós e o Davi) e mais 3 fraldas de piscina (também da versão antiga da Nós e o Davi), com 3 absorventes para usar de dia. Assim que começamos a usar as fraldas de pano, por não saber o quanto ela "aguentava", eu fazia as trocas noturnas a cada vez que me levantava pra amamentar (ou seja, a cada 2 ou 3 horas). Depois comecei a fazer as trocas uma vez sim, uma vez não, e fui diminuindo gradativamente até chegar ao ponto de não fazer mais trocas noturnas. Eu fazia a última troca entre 21h e 24h, antes de ir dormir, e depois só trocava no outro dia pela manhã. De dia, a cada vez que ele queria evacuar e eu o colocava na pia ou no penico (falei sobre a higiene natural aqui), eu colocava uma fralda nova, independente se a antiga ainda não estava muito cheia de xixi. Como ele evacuava umas 5 vezes por dia, em média, dava um intervalo de 2 a 4 horas entre cada troca de fraldas.  
Minha rotina de lavagem das fraldas era: no dia 1 eu as lavava pela manhã, no dia 2 eu as lavava pela noite, e no dia 3 eu não lavava. No dia 4, voltava para o dia 1. Ou seja, a cada 3 dias, eu fazia 2 lavagens. A cada lavagem, a média de fraldas dentro da máquina era 12. Ou seja, logo no início o Nícolas estava usando uma média de 8 fraldas por dia. Apesar de serem AIO, as fraldas secavam relativamente rápido, devido ao clima seco da minha cidade. De todas forma, algumas vezes tive que lançar mão de fraldas descartáveis, quando não tinha nenhuma limpa e seca para usar, mas foram poucas as vezes.
Também, no início eu fazia a lavagem na máquina, no modo "algodão", somente um ciclo, usando sabão de coco. Como fazíamos higiene natural com o Nícolas, quase nunca as fraldas vinham sujas de cocô, mas mesmo as que tinham um pouco de fezes, eu jogava direto na máquina, sem retirar o excesso, e elas saíam limpas. Mas ao longo do tempo começaram a acumular cheiro e ficaram um pouco manchadas. Atribuí ao fato de elas quase não pegarem sol (meu varal não pegava sol nessa época - agora me mudei e tenho muito sol nas fraldas, o que faz uma diferença enorme), e quando fomos para a praia, aos 3 meses do Nícolas, eu levei todas as fraldas e deixei que pegassem muito sol na varanda do apartamento. Além disso, mudei meu padrão de lavagem: Primeiramente eu colocava as fraldas para lavar somente com água, sem sabão, em um ciclo completo (pré-lavagem, lavagem e enxague extra). Depois, colocava pra lavar novamente em um ciclo completo, com sabão de côco. Com isso, as fraldas branquearam e o cheiro acumulado foi embora. 

Com uns 4 ou 5 meses do Nícolas, eu resolvi comprar mais fraldas, pois vi que com a volta ao trabalho não daria mais para manter o ritmo de lavagens. Comprei então mais 10 fraldas AIO da Nós e o Davi, e para minha surpresa elas estavam mudadas: em vez de um tecido por fora e uma segunda camada interna de material impermeável, o próprio tecido externo já era impermeável (PUL). Com isso, as fraldas ficaram muito mais maleáveis, leves, e secavam muito mais rápido. Amei a mudança!!! Também, as fraldas antigas algumas vezes vazavam pela costura (onde o tecido externo "encostava" na parte absorvente interna, o xixi ia saindo como que por capilaridade). Nas novas fraldas, como o tecido externo já era por si só impermeável, esse tipo de vazamento não acontecia.

Então, resumindo a experiência dos 6 primeiros meses de fralda de pano, o que aprendi (na prática) foi:
*A fralda deve ser vestida bem cavadinha na virilha do bebê. Quanto mais encostado na virilha estiver o elástico da fralda, menos chance de vazamentos.
* Fraldas AIO são práticas, mas não servem para qualquer região do Brasil. Para o clima da minha região (quente e seco), funciona bem, mas acho que em outros locais não seriam uma boa escolha.
* Tomar sol faz muita diferença, principalmente para as fraldas não acumularem cheiro;
* A lavagem deve ser feita em duas etapas: primeiro uma lavagem só com água pra tirar o "grosso" da sujeira (urina e fezes), e depois uma segunda lavagem, com sabão, para limpar a fralda.
* As fraldas em PUL são infinitamente superiores àquelas que tem um tecido externo, uma camada de impermeável e um tecido interno. As da marca que eu elegi pra amar (Nós e o Davi) atualmente só são produzidas nesse material, mas para alguém que fosse comprar de qualquer outra marca, minha maior dica seria essa: só compre as que forem em PUL, independente de serem AIO, pocket, capa ou qualquer outro modelo.

Depois desses primeiros meses, passei por algumas dificuldades e tirei mais ensinamentos sobre as fraldas de pano. Vou explorar esses assunto em posts futuros.



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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Mais sobre a Introdução Alimentar



Nesse post eu falei sobre o início da introdução alimentar do Nícolas. Falei também sobre as vantagens e os motivos que me fizeram optar por fazer a introdução alimentar BLW.
Pois bem, acabou que tivemos que abrir mão do método BLW, e a introdução alimentar do Nícolas está sendo um "BLW participativo", mas que se assemelha bastante ao método tradicional (papinha).
Bem, isso aconteceu porque ele teve que ir pra creche um mês antes do esperado. No meu planejamento, eu iria emendar os 6 meses de licença maternidade com mais 1 mês de férias. Dessa forma, eu teria 6 semanas para acostumar o Nícolas ao método BLW, e, caso ele estivesse bem seguro (eu imaginei que estaria), eu somente pediria à creche para oferecer a alimentação dele seguindo este método - frutas e legumes cortados em pedaços grandes, que ele mesmo pudesse segurar e comer sozinho. Mas com ele teve que ir para a creche antes do esperado, ainda não estava muito seguro em se alimentar dessa forma. Na realidade, as refeições que fizemos em casa até então eram mais uma brincadeira do que realmente uma forma de se alimentar, como deve mesmo ser esse primeiro contato com a comida. Ele levava à boca, sentia o gosto, a consistência, mas grande parte acabava indo pro chão. Após a "refeição" ele sempre mamava, pois obviamente não se sentia saciado com a pouca quantidade que acabava ingerindo.
A creche até se colocou à disposição pra dar continuidade à introdução alimentar BLW, mas como essa não é a forma padrão que eles fazem com todas as crianças (até porque BLW exige muito tempo, muita atenção e paciência, e seria muito difícil fazer isso com várias crianças ao mesmo tempo), preferi que ele seguisse a forma que a creche está acostumada a fazer, que é o que eles chamam de "BLW participativo": as frutas são oferecidas em pedaços, e as crianças podem manuseá-las, mas o restante da comida (grãos, leguminosas, verduras e legumes) são servido amassadinhos, com a cuidadora dando na boca da criança (como no método tradicional). Mas algo que eu disse que não queria que fizessem, e que me garantiram que lá eles não fazem com nenhuma criança, é ficar forçando a comer "só mais um pouquinho" quando a criança sinaliza que não quer mais. Esse, pra mim, é o ponto principal do BLW: deixar que a criança aprenda a sentir quando está saciada, e não persuadí-la a comer além deste ponto. E assim está sendo feito com o Nícolas, mesmo que ele não esteja levando os alimentos à boca sozinho.
Ele faz quatro refeições na creche (um lanche de manhã e um de tarde, que são sempre frutas, o almoço e o jantar) e no meu intervalo do almoço eu vou lá e o amamento (nesse período ele não mama muito, porque está com a barriguinha cheia do almoço, mas nos encontrarmos nesse horário deixa nosso dia mais feliz - o meu e o dele). Nos fins de semana ele quase não tem comido nada, só mamado. Como passamos a semana toda longe e ele mama pouco durante o dia, acaba só querendo mamar no fim de semana. Como o leite materno é a principal fonte nutricional até um ano de idade, eu tenho considerado esse hábito saudável, e não estou lutando contra isso. De repente quando ele estiver mais perto de fazer 1 aninho, daí podemos tentar que ele coma pelo menos as refeições principais (almoço e jantar) nos fins de semana, e deixe o peito somente para os "lanchinhos".
Estamos levando tudo da forma mais tranquila e natural possível, com o mínimo de imposições, e com muita empatia e amor. Acredito que está sendo um sucesso.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Doação de leite


Desde que eu fiquei grávida, decidi que iria doar leite materno. Como na minha família todas as mulheres produzem bastante leite, sempre tive certeza que eu não fugiria à regra. E, realmente, não fugi. Todo dia tenho tirado uma média de 150ml (já teve dia que tirei quase 250ml) e congelado, para doação. Mantenho os frascos no freezer, e uma vez por semana uma bombeira vem na minha casa buscar. Sei da importância que o leite materno representa para qualquer bebê, principalmente os que se encontram internados em UTI neonatal. Receber leite materno ao invés de fórmulas pode ser a diferença entre sobreviver ou não para algum(s) desses bebezinhos. E, embora eu nunca saiba quantos e nem quais bebês eu estou alimentando, fico realmente feliz ao pensar que eu posso estar salvando a vida de um (ou alguns) bebês, e trazendo alegria pra toda uma (ou algumas) família(s). <3

Além da questão humanitária, também tem a questão médica. Quando tive mastite, fui orientada a sempre me ordenhar, para evitar acúmulo de leite, o que poderia facilitar o surgimento de um novo processo inflamatório nas mamas.
Também,  já estar acostumada a me ordenhar, e com bastante prática no processo, vai ser bastante útil quando Nícolas entrar na creche e eu tiver que deixar leite congelado para darem pra ele (não quero que ele tome fórmula nunca).
Além disso, quanto mais leite materno eu doar, menos leite artificial (feito a partir de leite de vaca) estará sendo consumido, então eu estarei, mesmo que infimamente, ajudando a diminuir o consumo de leite de vacas, o que não deixa de ser uma atitude em prol do veganismo.
E ainda, como última vantagem, quanto mais leite eu produzir, mais rápido vou perder os quilinhos que ganhei durante a gestação... :P

Só vantagens!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Introdução Alimentar



Eu estou assustada de como tudo está passando tão rápido... Parece que ontem eu estava grávida, e agora já estamos iniciando a Introdução Alimentar do Nícolas...
Até aqui fizemos aleitamento materno exclusivo, em livre demanda. Nícolas nunca tomou fórmula e nunca usou nenhum tipo de bico artificial (nem mamadeira e nem chupeta). Tivemos um pouco de dificuldade no início, porque ele tinha a pega um pouquinho errada e me feriu bastante, o que acabou culminando em uma mastite (falei disso aqui). Mas depois de alguns ajustes passamos a fazer a amamentação lindamente, e eu amo esses momentos tão únicos nossos. Eu pretendia esperar até os 6 meses completos para introduzir outros alimentos, mas como aos 6 meses e meio ele irá iniciar na creche, achei por bem (e com a concordância da pediatra dele) adiantar em duas semanas a introdução de novos alimentos, para que a alimentação já esteja bem estabelecida e a ida pra creche seja o menos traumático possível. Então iniciamos oficialmente no dia 22/02 (com então 5 meses e meio) a introdução alimentar do Nícolas.
Até agora ele já provou manga, banana, laranja, maçã, pêra, abóbora, beterraba, cenoura, purê de batata baroa, e parece ter gostado de tudo, apesar de não ter comido uma grande quantidade de nada, como esperado. A fase agora é de curiosidade e experimentação de novas sensações, e o leite materno continua sendo a principal fonte de nutrientes para ele, oferecido sempre em livre demanda.

Eu li bastante e queria (e ainda quero) seguir pelo método BLW, mas acho que talvez ele ainda não tenha maturidade e coordenação suficientes para pegar os alimentos com as mãozinhas, então algumas vezes nós que acabamos pegando o alimento e levando até a boca dele. Estamos na verdade fazendo uma mescla de tudo, e principalmente nos guiando pela nossa intuição e pelos sinais que ele dá. Deixamos os pedaços (conforme prevê o método BLW) à disposição dele e ele tenta pegar e levar à boca; caso ele não consiga e comece a se irritar, aí ajudamos, segurando o alimento, e ele segura nossa mão e a conduz até a boca dele. Sobre a quantidade, sempre respeitamos a vontade dele, nunca insistindo ou forçando para que coma mais do que ele quer.
Mas também meu marido já deu maçã raspadinha de colher na boquinha dele (bem à "moda antiga") e ele gostou bastante. Estamos fazendo o que acreditamos ser o melhor em cada momento, mas sem nos prendermos muito a regras. Acredito que assim as coisas ficam mais leves, e acabam fluindo melhor.

Não sei ainda como será quando iniciar a creche; como ele vai ficar em período integral (infelizmente no meu emprego não posso pedir redução de carga horária - o que seria um sonho para mim), as quatro refeições serão feitas lá durante a semana. Na creche que escolhemos, eles fazem o que chamam de "BLW participativo": permitem que as crianças manipulem os pedaços de frutas, mas "ajudam" no consumo das refeições salgadas, que são ofertadas em forma de papinha, mas já me disseram que se eu quiser que Nícolas se alimente exclusivamente pelo método BLW, eles irão acatar. Daí vai depender de como ele irá progredir nesse mês em casa. Se ele conseguir se alimentar de maneira satisfatória sozinho, vou fazer essa solicitação à creche. Mas se ainda não estiver muito seguro, daí vamos seguir com esse método "participativo".
O mais importante, ao meu ver, não é seguir essas ou aquelas regras, e sim desenvolver a sensibilidade de ver o que a criança quer e é capaz de fazer, e atendê-la da forma mais gentil possível.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Amamentar não é fácil MESMO


Durante a gravidez eu ouvi várias vezes pessoas falando que amamentar não é algo fácil. Acredito que por nunca ter visto nenhuma mulher da minha família dizer que teve dificuldades com a amamentação e sempre me parecer tão natural pra todas elas, imaginei que eu também acharia uma tarefa muito tranquila, e faria sem nenhuma dificuldade. Por isso mesmo, confesso que fui negligente com a preparação. Cheguei a passar esponja vegetal nos mamilos durante o banho, mas vários dias ficava com preguiça e acabava não fazendo. Também, não tomei os banhos de sol como me aconselharam, e tinha uma ideia vaga do que seria a "pega correta"do bebê, mas não me informei tanto quanto deveria sobre o tema.
Pois bem, o início da amamentação foi tenso pra mim. Assim que nasceu, colocaram o Nícolas no meu seio. Ele começou a sugar, e pareceu satisfeito. Senti um pouco de dor, mas nada insuportável. Mas a cada nova mamada, o incômodo ia aumentando, o que culminou no dia que voltamos pra casa, quando meus mamilos já estavam bem machucados, e a dor era quase insuportável. Só continuei amamentando porque sei da importância pro bebê, porque era uma grande vontade minha amamentar meu filho, e principalmente porque eu tinha que fazer algo pra matar a fome daquele serzinho (e fazê-lo parar de chorar). Mas cheguei a pensar, de madrugada: "amanhã vou comprar uma mamadeira e leite artificial, porque não suporto mais essa dor a cada 2 horas".
Pedi ajuda para a equipe de parto que me acompanhou (após o parto ainda tive duas consultas em casa, pra acompanhar o desenvolvimento do Nícolas e nosso entrosamento), e uma das enfermeiras veio aqui em casa e me auxiliou em algumas coisas. Ela me mostrou uma nova posição para amamentar, o que aliviou um pouco as dores, e reforçou o que a obstetra havia me recomendado na maternidade: banho de sol, passar o próprio leite (que é cicatrizante) nas feridas do seio, e duas pomadinhas pra ajudar na cicatrização. Mas apesar de ajudar, ainda estava doendo bastante, e com mamadas a cada 2 horas, não havia tempo suficiente para cicatrizar, e as feridas aumentavam cada vez mais.
Então resolvi fazer o que não deveria ser feito de maneira alguma (mas na época eu não sabia): deixar um seio descansar. Primeiro comecei a amamentar duas vezes no seio esquerdo (que estava menos ferido) e somente uma vez no direito. Em alguns dias, o seio direito estava sem nenhum machucado, e o esquerdo estava com uma rachadura bem acentuada. Então fui fazer o rodízio, mas para "acelerar" o processo de "cura" do seio esquerdo, fiquei 2 dias amamentando meu bebê só no seio direito e... veio a mastite!! (depois que já estava instalada, me explicaram: seio rachado mais leite parado, é a receita ideal para entrada e proliferação de bactérias, responsáveis pela mastite).

O primeiro sinal foi uma febre forte durante a noite. Mas eu também não sabia que isso era sinal de mastite... achei que estava ficando gripada, ou algo do tipo. Acordei com uma sensação diferente no seio, mas não estava sentindo dor propriamente dita, então nem pensei que estaria com algum problema. Por sorte, no dia seguinte foi a minha segunda consulta com a enfermeira da minha equipe de parto. E foi ela que percebeu e me alertou que eu estava em um processo de início de mastite. Meio seio já estava bem vermelho, mas com a correria nos cuidados com o bebê, eu nem havia notado (literalmente, não tinha tempo nem de me olhar no espelho). Eu estava tão cansada, que ainda quis dar uma enrolada no tratamento, mas ela me alertou que mastite é um quadro sério, e com uma evolução muito rápida. Somente por causa da preocupação que ela demonstrou, é que fui na minha obstetra naquele mesmo dia, para pegar receita de antibiótico, que tomei por 10 dias. Ela também me encaminhou para o banco de leite, onde fui atendida por uma outra enfermeira especializada em amamentação, que me deu dicas maravilhosas. Somente ela percebeu que meu filho estava com a pega errada. Sua boquinha estava ligeiramente mais fechada do que deveria, algo quase imperceptível, e era isso que estava causando as feridas nos meus seios. Ela me ensinou a corrigir a pega do bebê, me ensinou posições para amamentar, massagens para ajudar o leite a sair (nesse ponto já havia um "caroço"de leite empedrado). Quando os 10 dias do primeiro antibiótico acabaram, eu percebi que meu seio ainda estava vermelho, mas achei que isso fosse sumir com o tempo. Mas 2 dias depois, comecei a sentir muita dor, a ponto de não conseguir levantar meu braço. Liguei pro meu marido e pedi para que ele viesse mais cedo do trabalho. Pedi ajuda pros meus pais também, que me levaram na emergência da maternidade. A médica ginecologista de plantão me deu remédio pra dor, e me prescreveu um antibiótico mais forte, para ser usado durante 6 dias. Lá pelo quinto dia, vi que ainda não havia melhorado, e antes de esperar a dor voltar, fui à emergência de outro hospital. O médico ginecologista que me atendeu aumentou a dosagem do antibiótico, e me mandou tomar por mais alguns dias. E no dia que esse terceiro tratamento acabou, consegui finalmente ser atendida por um mastologista, que me passou novos exames de imagem e foi constatado que eu estava com coleção de pus no seio esquerdo, e já estava grande. No final, tive que ser internada, e fiquei 10 dias tomando antibiótico intravenoso, a cada 4 horas. Também, fiz uma pequena cirurgia de drenagem, e depois punção por 3 vezes.
Esse tempo que fiquei no hospital teve seus prós e contras. Principal fator positivo é que me serviu como um descanso... Eu estava extremamente cansada com a rotina em casa, sozinha durante o dia todo com o bebê. No hospital haviam enfermeiras que me ajudavam, marido ficou comigo o tempo inteiro, além de eu não ter que me preocupar com preparar comida, limpar o quarto, lavar as roupas... Simplesmente tinha quem fizesse tudo por mim. Até banho no bebê as enfermeiras deram algumas vezes (fiquei internada na própria maternidade, pra evitar que o Nícolas fosse exposto a algum vírus/bactéria). E o lado negativo foi sentir dor - além dos procedimentos, o remédio que me aplicavam a cada 4 horas ardia bastante quando entrava na veia, e ver o Nícolas sofrer com cólicas, por causa dos remédios que eu estava tomando. Mas o o que importa é que consegui tratar a mastite, e agora estou ótima.

Superados esses obstáculos iniciais, agora a amamentação finalmente se tornou algo prazeroso, natural e tranquilo para nós dois. Nícolas está crescendo, engordando e se desenvolvendo super bem, somente com meu leite (mesmo com tudo isso, ele não precisou tomar leite artificial ou do banco de leite nenhuma vez), e assim pretendemos seguir por muito tempo, enquanto tiver sendo bom pra nós dois.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Fraldas de pano modernas



Algo que eu já havia decidido desde antes de ficar grávida era que se algum dia eu tivesse um bebê, não usaria fraldas descartáveis (ou evitaria ao máximo). Essa decisão foi baseada na questão ambiental, pensando em todo lixo produzido durante o processo de fabricação, transporte e posterior descarte de cada fralda plástica. É assustador o quanto essa “praticidade da vida moderna” custa ao planeta, em termos ambientais.
Pensando pelo lado minimalista também faz sentido, pois algo que pode ser reaproveitado várias vezes é melhor do que algo que só será usado uma única vez e depois irá virar lixo. E finalmente, depois que me tornei vegana, essa resolução ficou ainda mais forte, pois descobri que todas as fraldas descartáveis (mesmo as biodegradáveis) são testadas em animais... Mais um ponto pras fraldinhas de pano. 

Não lembro exatamente quando descobri a existência das fraldas de pano modernas. Acho que foi há uns 7 anos, mais ou menos na época que minha primeira afilhada nasceu, e eu comecei a me interessar mais sobre esse universo pueril. E me encantei. Elas prometem a praticidade das fraldas descartáveis, mas são laváveis (em máquina de lavar!) e reaproveitáveis. Economia para o meio ambiente e para os bolsos também!! Uma mesma fralda pode ser usada desde recém-nascido até o desfralde, já que o tamanho é ajustável. E são muito mais confortáveis pros bebês, já que os bumbunzinhos não ficam em contato com plástico e nem abafados, e por isso as assaduras são muito menos frequentes (mesmo sem o uso de pomadas). E como se não faltasse mais nada, elas são absolutamente lindas, em diversas cores e estampas diferentes. 

Então quando me descobri grávida, fui buscar na internet as opções que haviam... Existem muitas marcas e modelos diferentes. Algumas você recheia com absorventes, outras você coloca o absorvente direto em contato com o bebê... Os materiais (tanto das fraldas quanto dos absorventes) também são bem variados, e eu confesso que fiquei um pouco confusa com tantas possibilidades...
Uma marca que se destacou pra mim foi a DiPano. Vi diversos comentários positivos a respeito, e já estava quase decidida a adotá-la, quando descobri que as fraldas dessa marca são fabricadas e importadas da China... Não que eu tenha algo contra os chineses, mas eu tento ao máximo evitar comprar produtos vindos de lá, por alguns motivos (testes em animais, descaso com o descarte dos lixos gerados durante a fabricação, trabalho escravo, etc). Não estou afirmando que isso aconteça durante a produção das fraldas DiPano, mas procurei informações a respeito e não consegui achar nada que me provasse que o processo de fabricação ocorresse de maneira “correta”. Além do mais, se a questão ambiental é uma preocupação, a produção local deveria ser sempre priorizada, pois dessa forma os gastos com combustíveis (geralmente fósseis) durante o transporte são minimizados. E então comecei a buscar por uma marca nacional. 

E aí encontrei a marca Nós e o Davi. É uma empresa formada somente por mulheres empreendedoras, a maioria mãe. Me apaixonei de cara pela proposta dessas mulheres, adorei ver a atenção que elas dedicam em auxiliar os clientes no uso do produto (quer seja fazendo vídeos explicando nos mínimos detalhes como utilizar, ou respondendo a todas as perguntas que as pessoas fazem no blog da marca), e para minha grande felicidade, eles possuem um modelo de fralda perfeito pra mim, que amo praticidade e não gosto de ter muitas opções: AIO (All In One).
Elas também têm aqueles modelos tipo envelope, onde você precisa rechear a capa com os absorventes (todos em diversos materiais), gerando diversas configurações diferentes (para o meu desespero). Mas diferente desses, o modelo AIO já vem prontinho: a “capa” e os absorventes costurados. Sem diferentes montagens, sem diferentes configurações. Só pegar e usar, tal qual uma fralda descartável. Na realidade, ainda existe a possibilidade de colocar absorventes extras, para que a capacidade de absorção aumente (e a fralda dure mais tempo), mas não é necessário.
Então fui no site e comprei uma de cada estampa do modelo AIO disponível no momento da compra (totalizando 17). Comprei também 3 fraldas para piscina e  quatro absorventes faixa de melton. Quando o bebê nascer, vou testando. Se achar o número insuficiente, compro mais fraldas ou absorventes.

De toda forma, mesmo ainda não tendo testado, já estou apaixonada por essas fraldinhas lindas. A foto do post são as fraldinhas que adquiri.
Não vejo a hora de recheá-las com um bumbunzinho gostoso de neném! 


EDIT:
Após um ano de uso de fraldas de panos, fiz um resumo, divido em 4 posts, das minhas experiências. São eles:
Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 1): O início
Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 2): Mau cheiro nas fraldas
Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 3): Vazamentos noturnos e impermeabilização
Resumo de um ano de Fraldas de Pano (parte 4): Situação atual e algumas comparações